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Parte Prática do Curso de Comissários: piquenique ou “tapa da cara e pede pra sair”?

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Parte Prática do Curso de Comissários: piquenique ou “tapa da cara e pede pra sair”?


O Curso de Comissários de Voo é dividido em parte teórica e prática. Ao longo da minha experiência como diretor de escolas de aviação, coordenador de cursos e instrutor de aulas teóricas e práticas, pude perceber a ansiedade que a parte prática de sobrevivência gera nos alunos, de maneira quase que generalizada. Portanto, resolvi escrever este pequeno artigo para desmistificar a Sobrevivência Prática do curso de Comissários e para que você candidato ou aluno de uma escola de aviação possa ficar tranquilo em relação a esta importante etapa da sua formação.

Bom, segundo o MCA 58-11, documento que norteia o curso de formação de comissários de voo, a necessidade de fazer com que os alunos entrem em contato com situações que poderão ter que enfrentar durante seu trabalho como comissários de voo, envolvendo risco de morte e estresse, denota a necessidade de fazê-los vivenciar, da forma a mais próxima possível da realidade, situações práticas de sobrevivência na selva, sobrevivência no mar, combate ao fogo e primeiros socorros.

Assim, as escolas de aviação devem ministrar a instrução prática, vamos a alguns detalhes:

Objetivo: a instrução prática deve complementar e fixar conhecimentos anteriormente adquiridos na instrução teórica. Como estes conhecimentos não serão aplicados rotineiramente pelo comissário de voo e sim em situações raras, estressantes e que exigem resposta pronta e adequada, treinar tais conhecimentos é de grande valor;

Instrutores: os instrutores deverão estudar casos já acontecidos e, mesmo sem terem vivenciado essas experiências, obtêm, através de conversas, relatórios, fotos etc., informações suficientes para transportar os alunos para situações simuladas da maneira mais real possível.

Ambiente: deverão ser selecionados cuidadosamente ambientes que permitam a realização das atividades práticas.

Para a “Sobrevivência na Selva e Primeiros Socorros após Acidente Aéreo” o ideal é que seja desenvolvida em área de mata, para que os alunos, cuja grande parte está, até o momento, habituada à vida urbana, possam entrar em contato, em ambiente hostil, com uma realidade que poderão enfrentar um dia e que, justamente por não ser corriqueira, requer um treinamento que seja encarado pelo aluno com seriedade. Para a atividade prática “Sobrevivência no Mar”, o ambiente adequado é o próprio mar, a fim de se criar uma situação o mais real possível e, assim, desenvolver um treinamento mais eficaz, capaz de incutir, no aluno, a responsabilidade de que se reveste a função de comissário de voo. Caso não haja a possibilidade de utilização do mar, a atividade poderá ser desenvolvida em rio ou, até, em uma piscina que permita a realização dos trabalhos requeridos.

Conteúdo Programático: Conforme já mencionado, a instrução prática complementa a teoria pondo-a em prática. Veja o que esperar da parte prática de Sobrevivência.

Prática de Combate ao Fogo (02 horas aula): reconhecimento e manuseio de equipamentos extintores, aplicando-os no combate real em focos de incêndio;

Sobrevivência na Selva e Primeiros Socorros após Acidente Aéreo (10 horas aula): briefing sobre as ações imediatas e simultâneas; briefing sobre as ações subsequentes; Cuidados relativos à preservação da saúde; Primeiros socorros após acidente aéreo; Sinalização diurna; Obtenção de abrigo; Obtenção e utilização de fogo; Obtenção e purificação de água doce; Obtenção e preparo de alimentos de origem vegetal; Obtenção e preparo de alimentos de origem animal; Deslocamento; Sinalização noturna; Orientação.

Sobrevivência no Mar (03 horas aula): Desembarque na água; utilização de equipamentos individuais de flutuação; resgate de feridos na água (salvatagem); utilização de equipamentos coletivos de flutuação.

Avaliação: Compreendido o que se deve fazer, é importante que você saiba como isto pode ser avaliado. Vamos aos critérios de avaliação:

  1. Capacidade de tomar decisões e iniciativa – capacidade de adotar a melhor alternativa entre várias, depois de avaliar com precisão os dados envolvidos;
  2. Habilidade social – flexibilidade para tratar com pessoas, inclusive em situações delicadas, demonstrando segurança e obtendo confiança;
  3. Atenção concentrada e para detalhes – capacidade de concentrar-se em ambientes com muitos estímulos, observando detalhes;
  4. Adaptabilidade – capacidade de se adaptar a situações, pessoas e locais novos, sem prejuízo de seu desempenho;
  5. Raciocínio lógico-verbal – capacidade para compreender e utilizar conceitos de forma adequada em sua comunicação;
  6. Disciplina – capacidade de respeitar a regulamentação da entidade; e
  7. Organização – capacidade de sistematizar tarefas, formando esquemas de execução.

Estes critérios serão expressos através de conceitos: “S” (satisfatório) ou “I” (insatisfatório). E a presença a todas atividades é obrigatória.

Tenho certeza que agora você é capaz de responder à provocação inicial feita no título deste texto e espero que estes esclarecimentos sejam suficientes para deixá-lo tranquilo quanto à parte prática do curso de comissários. Lembre-se que o treinamento não é, nem de perto, um treinamento militar para o combate, e sim, um treinamento para que você sobreviva e auxilie os passageiros, até a chegada das equipes de resgate, afinal, é isto que se espera de um comissário de voo.

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