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Bartolomeu de Gusmão, o Padre Voador e a Invenção do Balão

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Bartolomeu de Gusmão, o Padre Voador e a Invenção do Balão

Caro leitor, segue um texto sobre o extraordinário Bartolomeu de Gusmão.  O Padre Voador, como ficou conhecido, por muitas vezes é ignorado quando do ensino da história da aviação, fato que considero grande injustiça à memória daquele que, de fato, nos possibilitou sonhar com o voo. Fica aqui meu humilde desagravo. Boa leitura.

O balão foi inventado por Bartolomeu Lourenço de Gusmão, padre brasileiro, nascido em 1685 na Capitania de São Vicente, na pequena Vila do Porto de Santos, atual cidade de Santos – SP, em uma família de 12 irmãos, filhos do casal português Francisco Lourenço e de Maria Álvares.

Logo na infância, a inteligência de Bartolomeu chama atenção por suas habilidades em recitar de cor vários poemas e alguns livros da Bíblia Sagrada. Como a situação financeira de seus pais não era suficiente para mantê-lo nos estudos, em 1694, o jovem foi encaminhado ao Seminário Jesuíta de Belém, na freguesia da Cachoeira – BA. Fascinado pelo estudo da física, Bartolomeu surpreende a todos, criando um dispositivo hidráulico capaz de abastecer as caixas d’água do seminário, com elevação de 100 metros, com as águas do Rio Paraguaçu. Estava inventada a bomba hidráulica, sua primeira patente.

Os feitos do jovem seminarista atravessaram o Atlântico e em 1708, Gusmão foi matriculado na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra em Portugal, onde graduou-se em Física e Matemática. Dotado de grande saber, inteligência e excelente oratória, foi indicado por D. Isabel, Rainha de Espanha, para o cargo de Capelão na corte do rei D. João V de Portugal.

Incansável em sua inventividade, em 1709, solicitou a el rey um alvará de patente de um invento chamado “instrumento para voar”. Neste pedido, conhecido como Petição de Privilégio, Bartolomeu explicava as intenções do invento: “levar avisos aos exércitos em terras mui remotas”; “socorrer praças sitiadas”; “descobrir regiões que ficam vizinhas aos polos do mundo”; “calcular corretamente as latitudes”, entre outros usos e práticas.

Estando devidamente autorizado, perante a corte do rei D. João V, a rainha D. Maria Ana de Habsburgo, o Cardeal Michelangelo Conti, eleito no futuro breve, em 1721, Papa Inocêncio XIII e demais fidalgos, no dia 08 de agosto de 1709, houve a demonstração do “instrumento de andar no ar” do padre Bartolomeu de Gusmão. O balão, um pequeno globo de papel, subiu cerca de três ou quatro metros no pátio do Paço Real de Lisboa, para surpresa da audiência.

A invenção de Bartolomeu, segundo seus críticos, mostrou-se pouco eficiente, pois o esperado era que ele próprio alçasse os ares a bordo do invento. Incompreendido, o padre sofreu a desconfiança e o escárnio de seus detratores, muito embora houvesse deixado claras as intenções e o uso de seu invento.

Bartolomeu publicou duas importantes obras o “Manifesto Sumário para os Que Ignoram Poder-se Navegar pelo Elemento do Ar“, onde pretendia mostrar a possibilidade da aeronáutica, em 1709; e “Vários modos de Esgotar sem Gente as Naus que Fazem Água“, 1710.

As invenções do jesuíta avivaram de tal forma o imaginário popular, que muitas lendas a seu respeito foram criadas, inclusive, a mais famosa delas, sobre a gravura da “passarola”, que não terá passado de um artifício do próprio Gusmão para desviar a atenção dos seus detratores e dos curiosos.

Acrescente-se a isto o fato de Gusmão proteger judeus, novos convertidos ao catolicismo, a acusação infundada de que ele próprio houvera se convertido ao judaísmo e uma intriga amorosa o envolvendo com uma freira, para que fosse condenado e julgado pelo Tribunal da Santa Inquisição. Bartolomeu de Gusmão foi condenado à fogueira.

Antes de ser preso, teve sua fuga facilitada por seu irmão mais novo, o também padre e chanceler Alexandre de Gusmão. As poucas biografias sobre o padre indicam que a fuga foi inicialmente com destino à França, mas teve como parada final a cidade de Toledo na Espanha, onde o inventor do balão veio a falecer em 18 de novembro de 1724, aos 39 anos.

Bartolomeu de Gusmão morreu sem conseguir tripular sua invenção, feito realizado por dois jovens irmãos franceses 59 anos depois de sua morte, em 1783. Joseph Michel Montgolfier e Jaques Étienme Montgolfier, nascidos na cidade de Annonay na França, são os responsáveis pelas primeiras experiências bem-sucedidas com balões tripulados.Em setembro de 1783 fizeram subir um balão de ar aquecido que transportou três animais.

Seguindo o princípio de Arquimedes, apontado pelas experiências de Bartolomeu de Gusmão, o balão dos Montgolfier utilizava o ar aquecido por uma fogueira para contrastar com o ar atmosférico mais frio e denso e gerar uma força ascensional.

Em 21 de novembro de 1783, 74 anos após a primeira demonstração realizada por Bartolomeu de Gusmão, os irmãos Montgolfier realizaram o primeiro voo em um balão tripulado da história. Na presença do rei Luís XVI e da Rainha Maria Antonieta, os tripulantes Pilatre de Rozier e François Laurent, marquês de D’Arlandes, percorreram cerca de 9 km em 25 minutos.

Era a primeira vez que o homem alçava voo. Tudo possível, graças aos experimentos do Padre Voador. Vejo você nas aerovias.

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